quinta-feira, 5 de março de 2009

Sessão nostalgia

Por Sarah Menezes

A mola-maluca, é difícil encontrar alguém que em sua infância não tenha se divertido com esse brinquedo. Ao iniciar uma sessão nostalgia a primeira coisa que me veio a mente foi esse brinquedo peculiar, colorido, no qual eu passei inúmeras tardes brincando.
Mergulhando em minhas lembranças um brinquedo que marcou várias aventuras surgiu, a minha motoca, ou velotrol como também é bastante conhecido. Lembro de andar em cima dela por toda a casa, rodeando a mesa da cozinha, zanzando de lá para cá na sala enquanto minha mãe assistia TV, e toda minha euforia vinha à tona quando eu podia correr para cima e para baixo com toda a velocidade pelas calçadas do meu bairro, isso realmente me deixava alegre.
Lembro de cada detalhe daquele brinquedo que eu adorava, ela era azul com as três rodas vermelhas, pequenina, com vários adesivos de desenhos que eu própria colei para dar um toque final em seu estilo e deixá-la com a minha cara.
Me diverti tanto com esse brinquedo que, quando já estava mais velha e crescida lembro de vê-la toda acabada, com alguns furos em suas rodas, toda desbotada, os adesivos já haviam se descolado, e os que restaram já estavam todos rasgados, pela metade, sobrando apenas a cola grudada na motoquinha, a deixando ainda mais acabada.
Foram vários momentos divertidos que eu passei em cima daquele brinquedo, e os guardarei com toda a felicidade e carinho em minha memória.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Os outros

Por Maria Gabriela Brito

De sua turma nunca foi a mais bonita, porém Carol sabia o que queria, e acreditava nela mesma para conseguir. Além disso, tinha um instinto de liderança, e sua personalidade visível a deixava mais atraente. Ela se preocupava com todos ao seu redor, e sempre ficava satisfeita quando os outros estavam satisfeitos.
Quando tinha lá seus quatorze anos, estudava em uma escola próxima a um cursinho pré-vestibular. Todos os dias ela via passar por ali um rapaz lindo de mãos dadas com sua namorada. Carol gostava de ter metas e fazer o seu melhor para atingi-las. Falava para suas amigas que aquele deus grego seria dela um dia.
Carol não voltou a ver o rapaz depois daquele ano, mais tarde acabou mudando de escola, nem lembrava mais dele. Fez novas amizades, que acabaram tornando-se eternas. Os antigos amigos também não ficaram para trás. Como já dito antes, ela era o tipo de pessoa que não deixava ninguém para trás.
A jovem estava em uma fase boa. Gostava de curtir um happy hour com as amigas no final de semana. Em uma dessas noitadas de sábado, ela e mais duas amigas foram aproveitar a night em uma balada da moda. Dançavam empolgadas quando uma das meninas deu um grito ao ver um grande amigo que não via há anos. Carol deu um grito ao ver que seu antigo deus grego acabava de entrar na boate. A outra deu um grito ao se assustar com o grito das outras duas.
Carol acabou descobrindo que o rapaz que ela sempre via com a namorada no final da aula era o grande amigo de sua amiga. “Que bom que esse mundo é pequeno”, ela pensou. Naquele dia ela agarrou a oportunidade e conseguiu o que tanto queria há algum tempo. Depois daquilo não se viram ou se falaram mais. Ela até pensou em ligar algumas vezes, mas muitas outras coisas aconteciam em sua vida e ela o esqueceu novamente.
Quando estava no último ano da escola, aquele belo rapaz reapareceu em sua vida. Ficaram e ficaram, começaram a namorar. Formavam um belo casal. Carol e Fernando davam certo onde estivessem. Foram se apaixonando cada vez mais um pelo outro. Qualquer um podia sentir amor quando estava na presença deles. Ele não vivia sem ela, e ela não vivia sem ele.
Naquele ano o pai de Carol faleceu, e sua mãe mal parava em casa, mas Fernando esteve ao seu lado em cada segundo. Ela havia mudado um pouco, tornado-se mais nervosa, mas ele nunca perdeu a paciência com ela, por mais que ela o tentasse. As brigas eram constantes e normais como em todo relacionamento. Quando ela terminou a escola, os dois entraram juntos na faculdade, entretanto, cada um em uma cidade, ele saiu da terra natal, e ela ficou.
O amor dos dois ainda estava lá, só que eles não sabiam mais onde procurar. As brigas foram aumentando devido à distância física e tornaram-se cada vez mais sérias, várias pessoas começaram a se envolver e dar palpites. Ela pisava na bola com ele, e ele já não mais tão paciente não deixava em branco e dava o troco cinco vezes pior. Todos queriam saber o que acontecia entre eles, e que crise era aquela que afetava aquele amor antes tão intenso e tão bonito.
Na verdade o amor era o mesmo, mas eles começavam a crescer e o relacionamento continuava imaturo. Muita gente falava para Carol esquecer Fernando, dizendo que ele só fazia mal para ela. Talvez aquilo fosse verdade, e ela decidiu terminar. No fundo não parecia certo. Vários meses depois Fernando voltou para a cidade, dessa vez para ficar, desistiu da faculdade. A partir de então, os dois passaram a se encontrar escondidos. Nem a família e nem os amigos de Carol aprovavam o relacionamento deles.
A menina já não suportava mais esconder o que sentia por Fernando, decidiu lembrar quem ela era: autoconfiante! Assumiu para todos novamente um relacionamento com ele que prometia dar certo dessa vez. Um ano se passou diante dos olhos deles, e o namoro começava a desandar novamente. Os palpites alheios enchiam a cabeça de Carol, e ela via que não podia mais agradar a gregos e troianos.
Com tanta gente envolvida em seu relacionamento, ela não sabia que caminho tomar. De um lado estava Fernando, e aquele sentimento que era muito mais forte do que ela, de outro estavam os outros, que não sabiam o que passava na cabeça da jovem e nem como ela se sentia de verdade. Pela primeira vez na vida ela não era líder de nada e não conseguia decidir o que fazer. Não tinha forças para lutar por ele. Ela terminou novamente. Mais uma vez, aquilo não parecia certo.
Durante anos Fernando procurou Carol, ela o ignorava o máximo que conseguia, mesmo que aquilo a machucasse demais, principalmente por saber como o machucava. Algumas vezes ela não resistiu e saiu com ele sem que ninguém soubesse. Fernando pedia desculpa por tudo que acontecera entre eles, e implorava para tê-la de volta. Ela sabia que o desfecho daquilo era culpa dela, mesmo ela fazendo parecer ser culpa dele.
Depois de tudo, ela escolheu ser infeliz e deixar os outros felizes, como havia feito a vida inteira. Acabou se casando com outro, mas nunca esqueceu ou deixou de amar Fernando. Ele por outro lado, escolheu esperar Carol por toda a vida, na esperança de que um dia ela voltasse para ele.

sábado, 3 de janeiro de 2009

O Osama de Copacabana

 Por Maria Gabriela Brito

Eu compartilhava um espírito de renovação com mais um milhão e meio de pessoas que aguardavam ansiosas pela contagem regressiva para a chegada de 2009. Com pés descalços nas areias de Copacabana eu me divertia com pessoas que conheci. Observei alguns, ignorei outros, mas entre aquela multidão vestida em branco, um senhor abatido me chamou a atenção.
Sem sapatos, bermuda tactel surrada e uma camiseta enrolada na cabeça. A peça de roupa parecia um turbante, e quem estava em volta não pôde deixar de apelidá-lo de Osama Bin Laden. Os que olhavam para ele achavam que era mais um mendigo bêbado, talvez drogado. Mais um louco num mundo rotulado “normal”. Confesso que simpatizei com Osama, que mais tarde se apresentaria como Antonio, o arquiteto.
Quando veio conversar comigo, esquivei, fiquei com medo e não vou mentir, realmente o rotulei. Entretanto, resolvi dar uma chance àquele senhor. “Qual é tua graça?” foi o que ele me perguntou. Acabei descobrindo que no Rio, ele queria saber meu nome. “Gabriela” retruquei. Ele repetiu em voz alta como quem procurasse o que dizer em seguida.
Esperei ouvir idiotices, mas aproveitei para dar boas risadas. O caso é que Osama disse que tinha alguns recados para mim. Em um ambiente de comemoração ele me fez sentar na areia daquela praia e ouvir o que ele tinha a dizer. Olhando firmemente nos meus olhos ele disse que uma Santa cuidava de mim: Maria de Fátima. Fui informada por amigos, que ela também é a Nossa Senhora do Rosário, ou Virgem Maria, ou como preferir, já que tem mil derivações de nomes que se referem exatamente a mesma santa.
Ele seguiu afirmando com todas as forças que alguém me ama muito e está muito próximo, mas eu não sou capaz de enxergar. Continuou dizendo que um familiar preza a minha felicidade, podia ser um tio ou avô. Ouvi com atenção, apesar de estar achando tudo extremamente irrelevante. Foi quando ele me disse uma coisa que realmente me tocou.
“Você ainda vai fazer muito bem para o mundo”. Se isso é verdade ou não, ainda não sei, mas quando chegou a hora da contagem regressiva e todos esperavam ansiosos por aquela maravilhosa queima de fogos, eu pensei no que ele me disse. Talvez ele fosse mesmo um louco falando bobeiras da boca pra fora. O caso é que a situação misturada com a vontade recomeçar em mais um ano novo, me fez realmente querer fazer bem para o mundo.
A energia que a passagem do ano trás causa em cada um uma vontade de seguir em frente, trás forças. Alguns aproveitaram para fazer promessas, outros pedidos e simpatias. Eu pulei as tradicionais sete ondinhas (pra mim e pra algumas amigas). Nem todos tiveram um Osama para ler o futuro (diga-se de passagem, o meu promete ser grandioso), mas cada um a sua maneira buscou meios de ser melhor em 2009.
Durante os 10 segundos para a chegada do novo ano, eu senti que o Rio de Janeiro compartilhava comigo aquele espírito de paz e renovação. Naquela hora eu percebi que o mundo podia ser melhor, bastava cada um fazer a sua parte. E o Osama já garantiu que eu vou fazer a minha.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Maria

Por Maria Gabriela Brito

Quando nasceu sua mãe não pensou duas vezes ao escolher seu nome: “Maria, como a santa”. O pai era um pobre coitado que mal tinha onde cair morto, a mãe era uma órfã herdeira de uma grande fortuna. Despreparado e apavorado, o pai fugiu sem deixar rastros, abandonando Maria e sua mãe.
As duas eram a única família uma da outra. Maria foi criada no conforto e no carinho da mãe. Estudou nas melhores escolas. Porém, a menina sempre fora meio perturbada, a ausência do pai e a falta de outros familiares mexiam com a cabeça dela. Na formatura do terceiro colegial, Maria observou as mesas de seus colegas: lotadas. A dela: duas cadeiras, ela e a mãe.
Aos dezessete anos, não agüentava mais aquele ambiente, ela e a mãe, ela e a mãe. Era muito grata a tudo que possuía, havia sido muito bem criada, mas aos poucos foi saindo de casa e procurando outras bandas. Começou a freqüentar boates gays, onde a moral era outra e a orgia corria solta.
Beijou meninas, beijou meninos, beijou gays, cheirou pó. A mãe não percebia a situação em que a filha estava. Maria sabia disfarçar: o nome e a cara eram de santa. Começou a vender seu corpo. Conheceu meninas que faziam o mesmo, porque ela também não podia? Dinheiro era a última coisa que ela precisava, mas ela gostava de um capricho.
Maria era um prato cheio para qualquer psicólogo, a ausência do pai causava nela uma busca incessante por uma presença masculina. Aos dezoito anos, sexo era tudo o que passava pela sua cabeça. A faculdade particular de engenharia mecatrônica fora mais um motivo para procurar homens. O curso era formado por 94% de homens e 93% já haviam passado a noite com Maria.
Aqueles gritos a enfeitiçavam enquanto ela estava em ação: “Maria!”. Ganhou muito dinheiro com o que fazia. Ás vezes ela não cobrava. Passou a freqüentar novos lugares, conhecer homens mais velhos. Aqueles meninos já não sabiam satisfazer seu desejo. A mãe já era uma completa ausente em sua vida. Maria nunca estava em casa, inventava trabalhos e trabalhos para manter-se afastada e a noite procurava quem iria saciá-la.
Foi em um desses botecos baratos que Maria conheceu Humberto. Quarentão atraente. Cabelos semi-grisalhos bem aparados, rosto jovial, pele morena e corpo de trintão. Maria não hesitou em puxar papo. Humberto logo se atraiu pelas pernas grossas e torneadas e seios fartos de Maria. A pele branca e os cabelos escuros, deixavam visíveis os olhos verdes marcantes, realçados por lápis e rímel preto.
A conversa foi longe, Maria não conseguia mais conter a vontade de ter aquele homem dentro dela. Convidou-o para ir até sua casa, onde sua mãe dormia tranquilamente. Ao entrar pela porta grande de madeira, Maria deparou-se com uma luz acesa, a mãe estava concentrada na leitura de um livro, Maria tentou subir para seu quarto sem barulho, mas Humberto ficou parado observando a casa.
“Adriana?”, falou Humberto indignado. A mãe de Maria, sentada de costas para a porta por onde eles entraram, olhou por cima dos ombros e não pode acreditar no que seus olhos estavam vendo. O pai de Maria. Adriana viu os dois de mãos dadas e descontrolada perguntou o que Maria fazia com ele. A garota sem saber o que fazer, fitou os dois e soltou a mão de Humberto agressiva.
“Quem é ele mãe?”. “Mãe?”. Humberto não podia se conter mais diante da presença da filha que ele abandonara vinte anos atrás. “Seu pai” falou a mãe já não conseguindo esconder as lágrimas de pavor pela situação. “O que você fez com ela?”-“eu não encostei nela, Adriana”.
Maria observou a cena que sempre quis vivenciar: uma briga de pai e mãe, mas aquilo não era bem o que ela imaginava, quase fora para cama com seu pai, sentiu tesão por ele, aquilo era repugnante. O tão esperado encontro entre pai e filha aconteceu da pior maneira possível. Adriana mandou Humberto para fora de suas vidas e afirmou que ele já havia causado sofrimento o suficiente.
Humberto, que ainda não queria a responsabilidade de uma filha, sumiu mais uma vez, sem deixar rastros. Maria e a mãe nunca mais tocaram no assunto. Maria graduou-se com vinte e dois anos e nem o mundo, ela ou a mãe a consideravam mais uma santa como quando nasceu.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Oito horas de internet

 Por Sarah Menezes

E mais um dia amanhece, e, como de costume, me apronto e vou trabalhar. Chegando à empresa, a primeira coisa a se fazer é ligar o computador para assim poder começar a trabalhar, pois trabalho com assessoria de imprensa de uma empresa de tecnologia. Todos os dias seguem a mesma rotina.
Com o computador ligado, entro no Messenger (sala de bate papo online), dou uma olhada no Orkut, e uma conferida nos e-mails, e duvido que a primeira coisa que você faça ao ligar o PC não seja exatamente o que eu faço, se não for, que atire a primeira pedra.
Trabalho 8 horas por dia na frente de um computador, e praticamente todas as minhas tarefas são executadas nele, e no intervalo de uma hora e outra sempre vou dar uma espiadinha para ver se alguém me deixou um recado na tão viciante rede social chamada Orkut, afinal preciso saber dos acontecimentos, programações que me enviam através dele, quero ver até mesmo quem me escreve só por estar com saudade, ou só mesmo por escrever, porque dou uma descontração no meu dia, e assim ele não fica tão pesado, e de certa forma se torna mais agradável, afinal ninguém é de ferro para aguentar um dia de trabalho sem nenhuma hora de descontração.
Tenho de confessar que o meu Messenger fica online o tempo todo, claro que cumpro com as minhas obrigações no trabalho, mas sempre estou a conversar com um amigo sobre a noite de ontem, ou o que faremos hoje, e incrivelmente, através dele ficamos sabendo de todas as fofocas, festas e ainda há um jogo de sedução nas conversas com quem nos interessamos.
Falando dessa forma, até parece que o meu dia se resume a Orkut e MSN né? Mas não é bem assim, trabalho o tempo todo conectada à internet, o que me proporciona estar antenada com as informações, que chegam ao internauta praticamente em tempo real, o que é excelente para mim e principalmente para minha carreira, pois o mínimo que uma jornalista tem que fazer é estar por dentro de todos os acontecimentos do mundo.
Outro benefício deste veículo de comunicação para eu poder desenvolver meu trabalho é que toda dúvida que eu venha a ter é sanada na mesma hora, pois tenho em mãos, ou nas pontas dos dedos, como preferirem, um grande universo de informações, onde encontro praticamente tudo o que pesquiso. Essa vantagem faz com que eu desenvolva um trabalho consistente e sem perder tempo.
Entre vantagens e desvantagens, por fim acredito que tal tecnologia veio para nos auxiliar, trazer conforto, conhecimento, praticidade e entretenimento, e quando é utilizada de maneira erronia é que surgem os prejuízos, maldades, trapaças, prejuízos à saúde. O importante é explorar todos os benefícios oferecidos por ela, utilizando-a a nosso favor.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

90% de popularidade e 10% de carisma do presidente


Por Mônica Salmazo




“A ligação de Lula com o PT é de criatura e criador, de pai e filho”, acho que devemos perguntar para Gilberto Carvalho se ele tem certeza dessa relação, pois está mais para ligação entre banco e fornecedor. Em uma entrevista o chefe-de-gabinete fez esta e várias outras afirmações sobre o presidente, o “baixinho” - apelido carinhoso pelo qual Lula o chama – o conhece tão bem que fizera comentários até mesmo sobre o humor e jeitinho do nosso governante. Disse que a cabeça de Lula é a do peão do ABC, será que todos os peões do ABC realmente tem um palácio, ternos, viagens, mesa farta, escritório e um país inteiro para governar? E o dedinho? Onde fica? Ou não fica? Balela não? É difícil mas não é impossível certo?!

O presidente têm estado preocupado com a economia, “que representa 90% de sua popularidade”, não Luiz, não Gilberto, espera aí, é Luiz ou é Gilberto?, seja quem for está errado, economia não é popularidade, é muito dinheiro na mesa de poucos, e muita mesa no troco de muitos. Será mesmo? “Só os outros 10% vêm do carisma”, carisma?, verdade, somos bem simpáticos a feriados, pois sempre tem o tio que junta todo mundo para tomar umas cervejinhas, pinguinhas, ou seria cachacinhas? Bem popular o senhor presidente. Agora parou? Para não, afinal, vamos imaginar a mãe do Lula dizendo: “Você pensa que sem estudar, sem trabalhar e bebendo cachaça vai conseguir ser alguém na vida?”. Sim, é difícil mas não é impossível certo?! Vamos todos melhorar os setores de bebidas e de promoção de eventos, quem sabe assim não nos tornaremos ótimos governantes pelo menos em nossas próprias cidades ou casas?
O Vavá, irmão do Luiz, foi acusado de tráfico de influência e por pedir dinheiro a lobistas, “méol déols”, prefiro nem comentar. AH, e o Lulinha? Provavelmente não tenha sido muito diferente dos homens da família, foi bem sucedido, tem até associação com o presidente da Telemar para uma concessionária pública, o pai não vê problemas, afinal, o filho tomou uma “iniciativa pessoal e está batalhando”. Sim, ele é outro dos famosos peões do ABC, todos são batalhadores. (?!)


Um terceiro mandato, diz Gilberto que Lula não pensa ou cogita essa possibilidade, mas que “o presidente até pode tentar voltar em 2014”, o que será que ele irá fazer até lá? Segurem-se e guardem a água-ardente debaixo do colchão. Festinha no ABC!
Não sei como está por aí, mas por aqui estou parcialmente satisfeita (ou seria insatisfeita?), com as decisões do senhor presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva. Quero me candidatar à presidência. Mensalinho vale? Cartão é muita tecnologia, mas cheque corporativo seria interessante.

Ow Lula, manda cheque corporativo para os peões do ABC, não se esqueça do meu endereço. Quando precisar de uma ajuda, talvez uma cueca com alguns dólares, não é a do petista, mas talvez sirva como creme hidratante. Afinal, é difícil, mas não é impossível!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Positivo

Por Maria Gabriela Brito

Andou de um lado para o outro no banheiro. Parou cabisbaixa em frente a pia, levantou os olhos e observou no espelho seu rosto inchado de tanto chorar. Passou os dedos entre os cabelos louros e cheios, os cachos subiam e desciam em movimento de mola. Resolveu sentar. Fechou a tampa da privada e acomodou-se ali mesmo. A cabeça debruçada sob as mãos latejava muito.
“Positivo...” pensou ela. O pensamento apoderou-se de sua mente fazendo sua cabeça latejar mais um pouco. “Positivo! Positivo? Positivo...”. Ela não sabia o que pensar, a imagem do teste de gravidez sinalizando positivo simplesmente não saia da cabeça dela. As lágrimas escorriam por seu rosto, fazendo a cor azul de seus olhos ficar ainda mais azul.
Levantando a cabeça, procurou o teste pelo banheiro. Estava jogado sob o tapete rosa berrante bordado com os escritos “Barbie” em branco e uma estrelinha ao final da palavra. Por um momento ela observou o tapete. “Patético”; pensou. “Pa-té-ti-co” falou em voz alta seguida de uma risadinha desesperada. Olhou ao seu redor. O banheiro era todo “patético” como ela mesma havia definido.
O piso era rosa bebê, as paredes eram em ladrilhos brancos rodeadas por duas fileiras ao meio em ladrilho rosa escuro. A cerâmica da pia, vaso sanitário e bidê, assim como toalhas de rosto e banho, além da moldura do espelho, também eram rosa. Em cima da pia haviam cremes, uma pasta dental sabor tutti-frutti e uma escova de dente, é claro, rosa.
“Rosa, porque essa cor?” raciocinou afastando por alguns segundos a imagem do teste de gravidez. Logo ela lembrou: rosa era a cor do teste ao indicar positivo. Aquela ligação fez com que a menina desabasse em lágrimas novamente. “Não pode estar certo, foi só aquela vez”. Ela lembrou do dia em que saiu mais cedo da escola e andou alguns quarteirões até a casa do namorado, que havia faltado a aula.
Os pais estavam no trabalho. Conversa vai, conversa vem, beijos e amassos; mãos e pernas. Gemidos. “Foi bom”. Aquela lembrança a fez arrepiar inteira. Um suspiro a trouxe de volta a realidade de seu banheiro adolescente. Ainda sentada na tampa do vaso ela decidiu levantar. Deu uma boa olhada no espelho e jogou uma água fria no rosto. Ficou parada por alguns instantes observando seu rosto redondo e infantil.
“Pareço um bebê” pensou. “Um bebê cuidando de outro bebê”, a idéia a fez rir um pouco. Olhou para baixo e passou as mãos sob a barriga lisinha. Ela levantou a blusa e se observou no espelho. O piercing refletiu a luz e brilhou um pouco. Abaixou a blusa e sentou no seu tapete da Barbie abraçando as pernas e escondendo o rosto em uma das mãos. Mais calma começou a pensar no próximo passo.
“Vou ter que contar para minha mãe e depois ela conta pro meu pai” por um momento ela esqueceu do namorado. Não queria contar pra ele. Queria esquecer ele, queria distância dele. “Ele não vai querer, eu também não quero...”. Analisou as possibilidades. “Não vou conseguir fazer isso”. Ela simplesmente não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo com ela.
Já havia visto em filmes situações assim, lido em revistas, mas não havia imaginado com ela. Era ela agora. Ela era a personagem de filmes, ela era a menina da revista. Resolveu sair do banheiro e dar uma volta no quarteirão. Tirou a camiseta de uniforme e vestiu uma regatinha azul que exibia parte de sua barriga. Manteve a calça que estava e o all star xadrez de azul e lilás.
Saiu de casa sem se despedir de ninguém. Andou um pouco e se deparou com uma farmácia. Pensou. Pensou de novo. Entrou e comprou outro teste. Voltou correndo para casa como um maratonista a segundos da vitória. Entrou no local da aflição novamente: o banheiro. Fez tudo o que o teste dizia, esperou um pouco e minutos depois o resultado: negativo. Depois daquele dia, ela não quis mais saber do namorado e fez de tudo para aproveitar o que restava de sua infância. Que ainda fazia parte dela.