Por Maria Gabriela Brito
Eles estavam casados há 30 anos e tinham apenas um filho adulto que havia construído sua vida e família em uma cidade vizinha. A conversa entre os dois há muito tempo era curta e objetiva. “Você já foi ao supermercado? Acabou meu creme de barbear”, ou ainda, “A encanação do banheiro não está boa, depois chama um encanador”.
Não se ouvia mais os “eu te amo” do começo do relacionamento quando os dois tinham apenas 18 anos. Tornaram-se completos estranhos que dividiam a mesma casa, a mesma história e por incrível que pareça, a mesma cama. A única coisa que ainda tinham em comum era o filho.
Cada um tinha rotinas distintas, e há muito tempo o programa de um já não incluía o outro. A noite ela lia um livro na cama e ele assistia ao futebol na sala, as visitas ao filho eram feitas separadas, nenhum dos dois sabia porquê, mas acabou que um dia ficou assim e não mudou mais.
Todas as noites eram a mesma coisa, os dois moravam juntos, mas cada um sentia uma solidão imensa dentro de si. Em uma dessas noites comuns e rotineiras a casa ficou sem energia. Ela morria de medo de escuro, tanto é que a única atitude carinhosa que ainda existia entre eles, era que ele apagava a luz apenas depois que ela dormisse.
Na hora do ocorrido, ela saiu do quarto correndo e gritando pelo marido, ele foi ao encontro dela para acalmá-la. Os dois saíram de casa e perceberam que a luz havia sido cortada no bairro inteiro. Voltaram juntos para dentro, procuraram uma vela e sentaram na sala em um silêncio ensurdecedor.
Depois de 15 minutos que pareciam ter durado horas, ela finalmente puxou assunto.
-Que dia você vai visitar o Júnior?
-Não sei, por quê?
-Há... sei lá, tava pensando da gente ir junto.
Ele ficou bem espantado e surpreso com a proposta da esposa, mas não viu motivos para recusar. O silêncio voltou por mais alguns segundos, quando foi quebrado mais uma vez por ela.
-O que foi que aconteceu com a gente?
Ele sinceramente não soube responder. Os dois ficaram parados, pensando e olhando para o nada, pensando no amor intenso, no amor romântico, depois no amor sólido, o respeitoso, depois no amor conformado e agora? Qual era o amor deles? A verdade é que nenhum dos dois sabia se existia amor, o que os dois haviam construído era muito maior que isso, mas será que ainda significava alguma coisa?
Depois de 30 anos juntos, enfrentaram todas as adversidades e alegrias que a vida podia oferecer. Eles se criaram juntos, aprenderam a viver, juntos. Pela primeira vez em muitos anos os dois pararam para pensar nos dois, e a conclusão que chegaram? Ainda dava tempo de cada um correr atrás de sua própria vida.
A luz da casa voltou alguns minutos depois, cada um voltou para sua rotina noturna, no dia seguinte ele saiu de casa e procurou um advogado. Depois do divórcio a luz também voltou para a vida deles.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Lábios vermelhos
Por Mônica SalmazoCom grandes olhos negros e um cabelo cor-de-fogo ela seguia em direção ao horizonte. Em sua cabeça os fatos ficavam se repetindo sem parar, sem lhe dar ao menos alguns minutos para descansar sua mente e seu coração ferido.
Não entendia como tudo aquilo acontecera, não era possível que algo assim pudesse existir, mas finalmente decidiu ir embora.
Era fim de outono e o vento frio passeava pelas ruas, prestes a colorir tudo de branco com a chegada do inverno, o único som que se ouvia era o sapato marrom velho que apertava os pés de Juliana.
Entregar jornais nunca fora o sonho dela, mas sabia que para chegar onde queria era necessário algum sacrifício, se calava e continuava seus afazeres. Ela escutou um latido e correu para a rua, assustada, ela não havia visto que a casa abandonada tinha novos moradores. Um cheio estranho invadiu seus pulmões e uma boca desconhecida estava lhe beijando os lábios, a sensação era de que tudo estava tudo fora do normal e que o mundo havia enlouquecido, ou ela tinha enlouquecido.
Ao abrir os olhos viu um belo par de olhos verdes água e um cabelo preto, liso, comprido que ajudavam a contornar o rosto delicado do garoto que estava a sua frente. Seus lábios eram grossos e vermelhos e quentes, muito quentes.
Ele pegou em sua mão e levou-a até a casa e a fez sentar nas escadas de entrada, era estranho como nenhuma palavra havia sido dita ainda. Ela tentou falar algo, mas imediatamente os dedos do garoto calou-a, pedindo simbólicamente silêncio.
Após alguns minutos ele se levantou e entrou em casa, ela foi embora sem saber o que fazer ou pensar.
Durante 5 meses ela passava todos os dias na porta da casa pontualmente às 10 horas da manhã e todos os dias o garoto saía da casa e lhe dava um beijo, sentavam-se durante alguns minutos na escada sem dizer nada e ela ia embora.
A paixão aumentava e ela não sabia quem ele era, mas estava perdida de amor.
Mudara tudo, seu jeito de andar, de vestir, de pensar, de agir, havia mudado até mesmo o seu jeito de falar pensando no dia em que conversaria com ele.
O verão havia chegado e as noites se tornaram insuportavelmente quentes, e ela sonhou. Sonhou que estava tudo escuro e apenas uma luz no centro, o garoto aparecia, seus lábios estavam tão vermelhos que pareciam arder, ela tentava o alcançar mas não conseguia, tentava falar, gritar, berrar para que ele a escutasse. Acordou toda suada às 11 horas. Levantou desesperada e saiu correndo para a casa dele. Bateu três vezes na porta mas ninguém atendia.
Tentou dar a volta e entrar mas não adiantou, tudo estava bloqueado. Voltou para casa e esperou até o outro dia. Nada no dia seguinte, e também no outro, e no outro, e no outro e foi assim durante a semana inteira. Ela esperou o outono, o inverno, a primavera e quando o verão voltou novamente ela já não falava, não comia direito e não levantava mais da cama.
Recebeu uma foto estranha, com uma boca vermelha e um dedo na frente, fazendo um sinal de silêncio. Seu coração acelerou e ela imediatamente procurou saber se era ele, foi correndo até a casa mas não havia nada, procurou por todos os lados informações de onde viera a foto. Passou um mês procurando e finalmente descobrira que a foto vinha da França.
Arrumou suas coisas e jurou ir embora, em busca de seu amor, e não iria olhar para trás, não importasse o que acontecesse. Sofrera demais e estava na hora de correr em busca de seus sonhos ao invés de ficar entregando jornais para o resto da vida.
Ela saiu de casa e começou a andar em direção ao horizonte. Só precisava dizer à ele: Eu te amo!
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Saudade
Por Maria Gabriela Brito
Já namoravam há quatro anos. Por ela largou o cigarro, a bebida, as drogas, o mundo da farra e bagunça. Agora andava de cabelo bem penteado. Deixou o all star e a calça larga de lado. Usava sapatos e camiseta pólo. Ele amava muito ela, e por ela mudou. Para o mundo, ele havia mudado para melhor, para ele... Bom, ele nem se lembrava mais dele.
Um dia ela chegou e disse:
- Eu te amo, mas não como antes, sinto que minha missão com você está cumprida. Você é uma pessoa melhor, com a cabeça no lugar. Desculpe, mas não posso mais, quero terminar.
Seu mundo desmoronou naquele instante. Anos esforçando-se para ser alguém melhor, alguém bom o suficiente para ela.
Uma semana depois não conseguiu segurar, foi chorar suas mágoas no boteco da esquina. Jogou sinuca com amigos que não via há algum tempo, comprou um maço de cigarro, fumou sozinho em 42 minutos. Bebeu 10 garrafas de cerveja, quatro doses de pinga e uma dose de tequila.
Dormiu no bar e só acordou no outro dia em casa, não lembrava como havia chegado até lá, mas se deu conta de que estava com uma puta ressaca. Levantou cambaleando, tomou um Dorflex e três Engov. Preparou um café bem forte e bebeu sem adoçar. Sentou na sala de televisão e debruçou a cabeça nas mãos.
Percebeu que estava com saudades. Não dela. Tratou de colocar um sorriso no rosto e seu all star no pé, saiu dali direto para o boteco da esquina. Foi matar a saudade dele mesmo.
Imagem: http://renatoprospero.blogspot.com
Já namoravam há quatro anos. Por ela largou o cigarro, a bebida, as drogas, o mundo da farra e bagunça. Agora andava de cabelo bem penteado. Deixou o all star e a calça larga de lado. Usava sapatos e camiseta pólo. Ele amava muito ela, e por ela mudou. Para o mundo, ele havia mudado para melhor, para ele... Bom, ele nem se lembrava mais dele.Um dia ela chegou e disse:
- Eu te amo, mas não como antes, sinto que minha missão com você está cumprida. Você é uma pessoa melhor, com a cabeça no lugar. Desculpe, mas não posso mais, quero terminar.
Seu mundo desmoronou naquele instante. Anos esforçando-se para ser alguém melhor, alguém bom o suficiente para ela.
Uma semana depois não conseguiu segurar, foi chorar suas mágoas no boteco da esquina. Jogou sinuca com amigos que não via há algum tempo, comprou um maço de cigarro, fumou sozinho em 42 minutos. Bebeu 10 garrafas de cerveja, quatro doses de pinga e uma dose de tequila.
Dormiu no bar e só acordou no outro dia em casa, não lembrava como havia chegado até lá, mas se deu conta de que estava com uma puta ressaca. Levantou cambaleando, tomou um Dorflex e três Engov. Preparou um café bem forte e bebeu sem adoçar. Sentou na sala de televisão e debruçou a cabeça nas mãos.
Percebeu que estava com saudades. Não dela. Tratou de colocar um sorriso no rosto e seu all star no pé, saiu dali direto para o boteco da esquina. Foi matar a saudade dele mesmo.
Imagem: http://renatoprospero.blogspot.com
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O cego
Por Maria Gabriela Brito
Naquele dia ele saiu nervoso de casa. O olhar estava pesado e abatido. A noite mal dormida refletiu no rosto que exibia uma expressão cansada. Deixou o carro na garagem e decidiu ir de ônibus para o trabalho.
Vestia um terno preto e andava sob o sol escaldante. Por um momento se arrependera de ter deixado o carro com ar condicionado em casa. Sentou-se no ponto no aguardo do coletivo. Naquela hora lembrou da esposa que ficara em casa preparando o café que ele recusara. Ele nem se despediu dela.
Bateu nele uma tristeza imensa. O casamento já não era um mar de rosas. A luta para ter um bebê transformara o relacionamento em um fardo. Nenhum dos dois conseguia entender o que os fazia continuar com aquilo. Ela já não o via como antes e ele nem mesmo a via mais. Os diálogos eram objetivos e a conversa curta.
Pensar no casamento fez o homem ficar chateado. Ele queria entender o que fizera de errado e se fora ele o culpado. Perdido em seus pensamentos não percebeu que o ônibus passara. Quando se deu conta, já era tarde, o veículo dobrava a esquina. Deu um suspiro profundo e decidiu ir a pé mesmo, afinal eram apenas meia hora de caminhada e ele precisava se exercitar.
Há anos havia largado a academia, além disso, começara a fumar. E foi o que ele fez naquele momento. Ficou em pé e procurou na maleta de couro marrom o maço. Acendeu um cigarro e pôs-se a caminhar. Quando foi firmar o passo, uma mão veio lhe apertar o braço.
Pronto para descontar toda a raiva acumulada naquele ser ele percebeu que se tratava de um jovem cego. “Senhor, me ajuda a atravessar essa rua? Movimentada, né?” falou o rapaz que não devia ter mais de 17 anos. Sentindo-se um pouco embaraçado por quase desaguar um mar de problemas no moço, ele se prontificou a ajudá-lo.
E lá foram os dois lentamente pela movimentada avenida. O rapaz cego não falava nada e pensava sabe-se lá no quê. O empresário antes nervoso ia ficando mais calmo a cada passo. Observava o rapaz que exibia um curioso sorriso estilo Mona Lisa, daqueles indecifráveis. Ele parecia verdadeiramente feliz.
A situação o deixava cada vez mais envergonhado. O jovem caminhou tranqüilo e sorridente até o outro lado da rua, enquanto ele reclamou a manhã toda da vida que levava. Finalmente os dois chegaram à calçada. Ele estava mais leve. O moço agradeceu e se despediu.
Ele ficou para trás apenas observando o cego seguir adiante, abrindo espaço por entre toda aquela gente com sua bengala. Depois daquela situação uma maré de positivismo se abateu sobre ele. Olhou para o relógio e viu que ainda dava tempo. Tempo de chegar ao trabalho, tempo de se despedir da esposa e quem sabe, tempo de salvar seu casamento.
O jovem cego de alguma forma o afetou, fazendo-o ver o que estava perdendo. Sua vida passava diante de seus olhos e ele mantinha-se cego a tudo que acontecia ao seu redor. Ele correu, correu o máximo que pôde. Brecou em frente uma floricultura, comprou uma rosa vermelha e pôs-se a correr de novo.
Chegou em casa transpirando, parou em frente a porta, ajeitou a gravata e entrou. A mulher estava no quarto arrumando a cama. Ele entrou e beijou-a intensamente, em seguida entregou a ela a rosa. A esposa emocionada chorou. Naquela manhã ele viu a esposa como nunca vira antes.
Algumas semanas depois veio a confirmação da gravidez. Nove meses mais tarde o mundo dava boas vindas a Vitória. E o executivo nunca mais viu a vida da mesma maneira.
Naquele dia ele saiu nervoso de casa. O olhar estava pesado e abatido. A noite mal dormida refletiu no rosto que exibia uma expressão cansada. Deixou o carro na garagem e decidiu ir de ônibus para o trabalho.
Vestia um terno preto e andava sob o sol escaldante. Por um momento se arrependera de ter deixado o carro com ar condicionado em casa. Sentou-se no ponto no aguardo do coletivo. Naquela hora lembrou da esposa que ficara em casa preparando o café que ele recusara. Ele nem se despediu dela.
Bateu nele uma tristeza imensa. O casamento já não era um mar de rosas. A luta para ter um bebê transformara o relacionamento em um fardo. Nenhum dos dois conseguia entender o que os fazia continuar com aquilo. Ela já não o via como antes e ele nem mesmo a via mais. Os diálogos eram objetivos e a conversa curta.
Pensar no casamento fez o homem ficar chateado. Ele queria entender o que fizera de errado e se fora ele o culpado. Perdido em seus pensamentos não percebeu que o ônibus passara. Quando se deu conta, já era tarde, o veículo dobrava a esquina. Deu um suspiro profundo e decidiu ir a pé mesmo, afinal eram apenas meia hora de caminhada e ele precisava se exercitar.
Há anos havia largado a academia, além disso, começara a fumar. E foi o que ele fez naquele momento. Ficou em pé e procurou na maleta de couro marrom o maço. Acendeu um cigarro e pôs-se a caminhar. Quando foi firmar o passo, uma mão veio lhe apertar o braço.
Pronto para descontar toda a raiva acumulada naquele ser ele percebeu que se tratava de um jovem cego. “Senhor, me ajuda a atravessar essa rua? Movimentada, né?” falou o rapaz que não devia ter mais de 17 anos. Sentindo-se um pouco embaraçado por quase desaguar um mar de problemas no moço, ele se prontificou a ajudá-lo.
E lá foram os dois lentamente pela movimentada avenida. O rapaz cego não falava nada e pensava sabe-se lá no quê. O empresário antes nervoso ia ficando mais calmo a cada passo. Observava o rapaz que exibia um curioso sorriso estilo Mona Lisa, daqueles indecifráveis. Ele parecia verdadeiramente feliz.
A situação o deixava cada vez mais envergonhado. O jovem caminhou tranqüilo e sorridente até o outro lado da rua, enquanto ele reclamou a manhã toda da vida que levava. Finalmente os dois chegaram à calçada. Ele estava mais leve. O moço agradeceu e se despediu.
Ele ficou para trás apenas observando o cego seguir adiante, abrindo espaço por entre toda aquela gente com sua bengala. Depois daquela situação uma maré de positivismo se abateu sobre ele. Olhou para o relógio e viu que ainda dava tempo. Tempo de chegar ao trabalho, tempo de se despedir da esposa e quem sabe, tempo de salvar seu casamento.
O jovem cego de alguma forma o afetou, fazendo-o ver o que estava perdendo. Sua vida passava diante de seus olhos e ele mantinha-se cego a tudo que acontecia ao seu redor. Ele correu, correu o máximo que pôde. Brecou em frente uma floricultura, comprou uma rosa vermelha e pôs-se a correr de novo.
Chegou em casa transpirando, parou em frente a porta, ajeitou a gravata e entrou. A mulher estava no quarto arrumando a cama. Ele entrou e beijou-a intensamente, em seguida entregou a ela a rosa. A esposa emocionada chorou. Naquela manhã ele viu a esposa como nunca vira antes.
Algumas semanas depois veio a confirmação da gravidez. Nove meses mais tarde o mundo dava boas vindas a Vitória. E o executivo nunca mais viu a vida da mesma maneira.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais
Por Mônica Salmazo
Gisele sempre foi uma garota reservada para os desconhecidos e bem popular entre os amigos. Seu jeitinho de boneca encanta a todos, é o lado positivo de qualquer pessoa. Sua inteligência e instinto de maternidade com todos sempre foram notáveis, é a pessoa certa para se divertir ou chorar junto. Um leve dom para moda e uma incrível paixão pelo jornalismo, estilo e educação refinados, de dar inveja à muita gente por aí. Cabelos claros, curtos, talvez seja inspirado em uma de suas heroínas: Coco Chanel. Pele clara, cheiro doce e andar únicos, bem diferente e ao mesmo tempo parecida com sua amiga Samanta.
Samanta era radical, adorava festas, e era melhor ainda se as festas fossem de segunda a domingo, uma bebida nunca poderia ser dispensada ou desperdiçada, mas é uma garota carinhosa, atenciosa e única. Já passou por muita coisa em sua vida mas continua sempre de bom humor e com a cabeça erguida. Não tem hora para a diversão, mas sempre tem em mente a responsabilidade. Famosa pelo cheiro dos seus cabelos, negros como um céu sem lua mas cheio de estrelas, e pelo tamanho de seu bumbum (atrativo para muitos homens). Um exemplo para aqueles que são apaixonados pela vida. Louca e apaixonada pelo jornalismo também, foi por isso que conheceu Gisele e Monalisa.
Essa última sempre foi aberta a aventuras, apesar de manter os pés no chão. Não é louca pelo jornalismo como as amigas, mas diz ter uma vocação para ser escritora. No amor nunca teve muita sorte, mas já se entregou inteiramente à ele, sem medo do que poderia vir depois, sem medo das consequências, como sempre, aventureira. Se sofreu? Muito. Mas diria que valeu a pena, cada tombo foi um aprendizado. Apesar das quedas não desiste de procurar pelo amor, ela acredita nele. Sedenta por conhecimento. O termo "loira burra" com certeza não se encaixara a ela.
Seus cabelos longos balançam quando ela caminha, e irradiam uma graça e luz tão grandes que conquista o recinto por onde passa. Os olhos são profundos e abertos, o caminho de sua alma. Se encarados de verdade, é possível saber quem ela é. Doce e meiga por um lado, dura e sincera quando precisa. A "do meio", mais velha que Gisele e mais nova que Samanta. Formavam um trio insdiscutivelmente... indiscutível!
Em uma tarde de sábado resolveram viajar, ir descansar com a turma no rancho do Márcio, paquera da Samanta. Vivia jogando charme e criava coragem de chegar perto dele quando bebia nas festas, mas nunca havia acontecido nada entre eles.
A tarde foi gostosa, enquanto os homens faziam o almoço as mulheres ficaram bebendo e jogando cartas na varanda. Eram no total de oito pessoas, Samanta, Gisele, Monalisa, Beatriz, Mariana, Márcio, Leonardo, Tiago e Felipe, uma galerinha bem animada, resultado das festas de faculdade.
Não estavam preocupados com horários, responsabilidades, pais ou qualquer outra coisa que não fosse se divertir, aproveitar o final de semana e voltar relaxado para encarar o stress da cidade. Samanta já estava guardando a segunda caixa de cerveja quando deixou cair a garrafa e a cerveja se espalhou pelo chão. Sua expressão foi de total perda, com a boca aberta Monalisa foi abraçar a amiga que estava chocada.
Depois de alguns minutos levantou e disse que teria que compensar o erro e voltou para a mesa e continuou bebendo com a turma. Leonardo se levantou e resolveu "desbravar" o rancho e convidou a galera toda. Munidos de todo o material necessário foram para o meio do mato que era iluminado pela lua cheia.
A trilha seguia inclinada para baixo, um após o outro, em fila indiana, descendo a ladeira. Alguns tombos pelo caminho, ou pelo grau alcoólico, dificultavam e atrasavam o restante da trupe. Um sapo surgiu e pulou no caminho, foi o suficiente para Gisele entrar em desespero junto com Mariana, as duas irmãs se abraçaram e praticamente fizeram em 30 minutos o trajeto que levara 2 horas para se fazer até ali. De volta à casa o pessoal começou a cair, um de cada vez, e as três sobraram.
Nessa hora Monalisa se levantou e sugeriu um passeio até o laguinho a alguns metros de distância da casa, as amigas toparam na hora. O barquinho foi munido de tudo o que era necessário para continuar mais uma longa noite, e lá estavam as três locas. Remaram lago adentro e pararam. Ficaram lá curtindo e cantando.
Faltavam apenas alguns minutos para o céu começar a clarear quando os meninos escutaram as loucas no meio do lago cantando:
"Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos... ainda somos os mesmos... e vivemos... ainda somos os mesmos... e vivemos... como os nossos pais...", de um salto o remo caiu no lago e a cantoria parou.
Tudo ficou em silêncio, o pessoal da borda olhavam para elas e elas para eles. Após alguns minutos o pessoal da borda começou a soltar: "Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não... você diz que depois deles não apareceu mais ninguém... você pode até dizer que eu tô por fora ou então que eu tô inventando...", e naquele ritmo a manhã foi surgindo. Raios de sol vermelhos como fogo envolvidos em uma corrente amarela ouro, a brisa do vento só foi aumentando, levando a voz deles ao longe, até onde Elis Regina estaria, mesmo não estando aqui.
Naquela hora eles perceberam que não há nada melhor do que a juventude, fazemos burradas, decepcionamos os amigos, assustamos os pais e tropeçamos a maior parte do tempo. A amizade é algo que deve ser cuidado com muito carinho, cultivado a cada passo. A frase "os amores vem e vão, mas as amizades são eternas" é totalmente discutível, afinal, o que é a amizade a não ser uma forma de amor?
E foi na manhã de verão que elas perceberam que apesar de todos virem e irem embora elas sempre tinham umas as outras. De que as amizades vão embora às vezes por necessidade e que isso é inevitável. Mas que elas, ah elas, elas sempre seriam elas, sempre seriam as três loucas cantando que sempre foram as mesmas e sempre viveriam como seus pais, sempre serão três e sempre serão indiscutíveis.
"Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
De coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais..."
Gisele sempre foi uma garota reservada para os desconhecidos e bem popular entre os amigos. Seu jeitinho de boneca encanta a todos, é o lado positivo de qualquer pessoa. Sua inteligência e instinto de maternidade com todos sempre foram notáveis, é a pessoa certa para se divertir ou chorar junto. Um leve dom para moda e uma incrível paixão pelo jornalismo, estilo e educação refinados, de dar inveja à muita gente por aí. Cabelos claros, curtos, talvez seja inspirado em uma de suas heroínas: Coco Chanel. Pele clara, cheiro doce e andar únicos, bem diferente e ao mesmo tempo parecida com sua amiga Samanta.
Samanta era radical, adorava festas, e era melhor ainda se as festas fossem de segunda a domingo, uma bebida nunca poderia ser dispensada ou desperdiçada, mas é uma garota carinhosa, atenciosa e única. Já passou por muita coisa em sua vida mas continua sempre de bom humor e com a cabeça erguida. Não tem hora para a diversão, mas sempre tem em mente a responsabilidade. Famosa pelo cheiro dos seus cabelos, negros como um céu sem lua mas cheio de estrelas, e pelo tamanho de seu bumbum (atrativo para muitos homens). Um exemplo para aqueles que são apaixonados pela vida. Louca e apaixonada pelo jornalismo também, foi por isso que conheceu Gisele e Monalisa.
Essa última sempre foi aberta a aventuras, apesar de manter os pés no chão. Não é louca pelo jornalismo como as amigas, mas diz ter uma vocação para ser escritora. No amor nunca teve muita sorte, mas já se entregou inteiramente à ele, sem medo do que poderia vir depois, sem medo das consequências, como sempre, aventureira. Se sofreu? Muito. Mas diria que valeu a pena, cada tombo foi um aprendizado. Apesar das quedas não desiste de procurar pelo amor, ela acredita nele. Sedenta por conhecimento. O termo "loira burra" com certeza não se encaixara a ela.
Seus cabelos longos balançam quando ela caminha, e irradiam uma graça e luz tão grandes que conquista o recinto por onde passa. Os olhos são profundos e abertos, o caminho de sua alma. Se encarados de verdade, é possível saber quem ela é. Doce e meiga por um lado, dura e sincera quando precisa. A "do meio", mais velha que Gisele e mais nova que Samanta. Formavam um trio insdiscutivelmente... indiscutível!
Em uma tarde de sábado resolveram viajar, ir descansar com a turma no rancho do Márcio, paquera da Samanta. Vivia jogando charme e criava coragem de chegar perto dele quando bebia nas festas, mas nunca havia acontecido nada entre eles.
A tarde foi gostosa, enquanto os homens faziam o almoço as mulheres ficaram bebendo e jogando cartas na varanda. Eram no total de oito pessoas, Samanta, Gisele, Monalisa, Beatriz, Mariana, Márcio, Leonardo, Tiago e Felipe, uma galerinha bem animada, resultado das festas de faculdade.
Não estavam preocupados com horários, responsabilidades, pais ou qualquer outra coisa que não fosse se divertir, aproveitar o final de semana e voltar relaxado para encarar o stress da cidade. Samanta já estava guardando a segunda caixa de cerveja quando deixou cair a garrafa e a cerveja se espalhou pelo chão. Sua expressão foi de total perda, com a boca aberta Monalisa foi abraçar a amiga que estava chocada.
Depois de alguns minutos levantou e disse que teria que compensar o erro e voltou para a mesa e continuou bebendo com a turma. Leonardo se levantou e resolveu "desbravar" o rancho e convidou a galera toda. Munidos de todo o material necessário foram para o meio do mato que era iluminado pela lua cheia.
A trilha seguia inclinada para baixo, um após o outro, em fila indiana, descendo a ladeira. Alguns tombos pelo caminho, ou pelo grau alcoólico, dificultavam e atrasavam o restante da trupe. Um sapo surgiu e pulou no caminho, foi o suficiente para Gisele entrar em desespero junto com Mariana, as duas irmãs se abraçaram e praticamente fizeram em 30 minutos o trajeto que levara 2 horas para se fazer até ali. De volta à casa o pessoal começou a cair, um de cada vez, e as três sobraram.
Nessa hora Monalisa se levantou e sugeriu um passeio até o laguinho a alguns metros de distância da casa, as amigas toparam na hora. O barquinho foi munido de tudo o que era necessário para continuar mais uma longa noite, e lá estavam as três locas. Remaram lago adentro e pararam. Ficaram lá curtindo e cantando.
Faltavam apenas alguns minutos para o céu começar a clarear quando os meninos escutaram as loucas no meio do lago cantando:
"Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos... ainda somos os mesmos... e vivemos... ainda somos os mesmos... e vivemos... como os nossos pais...", de um salto o remo caiu no lago e a cantoria parou.
Tudo ficou em silêncio, o pessoal da borda olhavam para elas e elas para eles. Após alguns minutos o pessoal da borda começou a soltar: "Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não... você diz que depois deles não apareceu mais ninguém... você pode até dizer que eu tô por fora ou então que eu tô inventando...", e naquele ritmo a manhã foi surgindo. Raios de sol vermelhos como fogo envolvidos em uma corrente amarela ouro, a brisa do vento só foi aumentando, levando a voz deles ao longe, até onde Elis Regina estaria, mesmo não estando aqui.
Naquela hora eles perceberam que não há nada melhor do que a juventude, fazemos burradas, decepcionamos os amigos, assustamos os pais e tropeçamos a maior parte do tempo. A amizade é algo que deve ser cuidado com muito carinho, cultivado a cada passo. A frase "os amores vem e vão, mas as amizades são eternas" é totalmente discutível, afinal, o que é a amizade a não ser uma forma de amor?
E foi na manhã de verão que elas perceberam que apesar de todos virem e irem embora elas sempre tinham umas as outras. De que as amizades vão embora às vezes por necessidade e que isso é inevitável. Mas que elas, ah elas, elas sempre seriam elas, sempre seriam as três loucas cantando que sempre foram as mesmas e sempre viveriam como seus pais, sempre serão três e sempre serão indiscutíveis.
"Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
De coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sinto tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais..."
quinta-feira, 16 de abril de 2009
A decisão
Por Maria Gabriela Brito
Sempre levou a vida na indecisão. Enquanto era criança até era compreensível, mas já na adolescência, mal conseguia escolher o que comer no almoço. Apesar desse problema, era inteligente, passou em vários vestibulares, cada um, um curso diferente. Sem conseguir escolher entre economia e veterinária optou por fazer os dois.
Por incrível que pareça levou os dois cursos numa boa. Depois de formada saiu da casa dos pais. Para variar não conseguia escolher um apartamento. A mãe sugeriu um e logo a idéia foi aceita. Na hora da decoração, não sabia se queria um estilo rústico ou moderno, acabou ficando com os dois, o que deixou o apartamento bastante diferente.
A noite saía com amigos, mas ela nunca escolhia aonde ir. Não seria capaz. Em uma dessas baladinhas encontrou Felipe. Rapaz bonito, alto e bom de papo. Quando ele se ofereceu para pagar uma bebida ela se apressou a dizer que ele podia escolher. Conversaram por horas e acabaram se entendendo.
Felipe gostou do jeitinho meigo dela. Aquele vestidinho curto e sapatilhas caiam muito bem com os cabelos longos e castanhos com discretos cachos nas pontas. Apesar de ser indecisa, não era difícil se encantar por ela. E foi o que aconteceu com Felipe. Começaram a sair. Nesse meio tempo, ela conheceu Pedro, amigo de uma amiga. Charmoso e sedutor. Dessa vez foi difícil para ela não se encantar por ele.
Foi levando o caso com os dois e simplesmente não conseguia escolher com qual ficar. A situação já estava insustentável. Saía para divertidos jantares com Felipe, e Pedro a levava a festas badaladas. Felipe já havia declarado seu amor, e até o duro coração de Pedro estava claramente amolecido.
Numa noite qualquer Felipe a convidou para um restaurante japonês, e mais tarde Pedro a esperaria em uma boate nova que tocava samba rock. Parada em frente o espelho, não conseguia decidir que roupa vestir. Trocava e trocava, mas não chegava a lugar nenhum.
Olhou seu reflexo e observou profundamente suas feições, ela tinha cara de indecisa. Começou a pensar qual era seu problema e porque não conseguia decidir nada. Teve raiva dela mesma por um instante. Precisava escolher com quem iria ficar, não podia continuar com aquela situação. Era ruim para eles, e principalmente para ela.
Naquela hora sentiu uma força vindo sabe-se lá de onde. E se olhando no espelho, finalmente tomou uma grande decisão, talvez a primeira e maior de sua vida. Ela gostava do Pedro e gostava do Felipe, mas gostava ainda mais de uma terceira pessoa, e resolveu ficar com essa: ela mesma.
Sempre levou a vida na indecisão. Enquanto era criança até era compreensível, mas já na adolescência, mal conseguia escolher o que comer no almoço. Apesar desse problema, era inteligente, passou em vários vestibulares, cada um, um curso diferente. Sem conseguir escolher entre economia e veterinária optou por fazer os dois.Por incrível que pareça levou os dois cursos numa boa. Depois de formada saiu da casa dos pais. Para variar não conseguia escolher um apartamento. A mãe sugeriu um e logo a idéia foi aceita. Na hora da decoração, não sabia se queria um estilo rústico ou moderno, acabou ficando com os dois, o que deixou o apartamento bastante diferente.
A noite saía com amigos, mas ela nunca escolhia aonde ir. Não seria capaz. Em uma dessas baladinhas encontrou Felipe. Rapaz bonito, alto e bom de papo. Quando ele se ofereceu para pagar uma bebida ela se apressou a dizer que ele podia escolher. Conversaram por horas e acabaram se entendendo.
Felipe gostou do jeitinho meigo dela. Aquele vestidinho curto e sapatilhas caiam muito bem com os cabelos longos e castanhos com discretos cachos nas pontas. Apesar de ser indecisa, não era difícil se encantar por ela. E foi o que aconteceu com Felipe. Começaram a sair. Nesse meio tempo, ela conheceu Pedro, amigo de uma amiga. Charmoso e sedutor. Dessa vez foi difícil para ela não se encantar por ele.
Foi levando o caso com os dois e simplesmente não conseguia escolher com qual ficar. A situação já estava insustentável. Saía para divertidos jantares com Felipe, e Pedro a levava a festas badaladas. Felipe já havia declarado seu amor, e até o duro coração de Pedro estava claramente amolecido.
Numa noite qualquer Felipe a convidou para um restaurante japonês, e mais tarde Pedro a esperaria em uma boate nova que tocava samba rock. Parada em frente o espelho, não conseguia decidir que roupa vestir. Trocava e trocava, mas não chegava a lugar nenhum.
Olhou seu reflexo e observou profundamente suas feições, ela tinha cara de indecisa. Começou a pensar qual era seu problema e porque não conseguia decidir nada. Teve raiva dela mesma por um instante. Precisava escolher com quem iria ficar, não podia continuar com aquela situação. Era ruim para eles, e principalmente para ela.
Naquela hora sentiu uma força vindo sabe-se lá de onde. E se olhando no espelho, finalmente tomou uma grande decisão, talvez a primeira e maior de sua vida. Ela gostava do Pedro e gostava do Felipe, mas gostava ainda mais de uma terceira pessoa, e resolveu ficar com essa: ela mesma.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Histórias que temos de contar
Por Sarah Menezes

As férias acabaram tem algum tempo, mas recordando os momentos bons que tive nela, um eu faço questão de deixar registrado, o acampamento na chuva.
Era uma quinta-feira, e eu estava em um bar com meus amigos, o que é de costume durante todo o período de folga que nós temos, nos encontramos todos os dias para recompensar o tempo que passamos longe, pois todos estudam fora. Em meio a conversas e brincadeiras alguém sugere um acampamento para o final de semana, mais do que animados, todos já se organizam e combinam a viagem para o dia seguinte, a sexta-feira.
Quem realmente botou fé no combinado, e, que mesmo com chuva, acreditou que o acampamento iria vingar estava em frente ao supermercado às 9h da manhã. Todos reunidos, compramos os apetrechos para passar dois dias acampados, e seguimos viagem.
Durante todo o percurso estávamos empolgados,fazendo planos para quando chegássemos, contando histórias e nos divertindo. Ficamos mais ou menos uma hora perdidos, tentando achar o camping, mas graças a uma força maior conseguimos achar o local, e já estava na hora do almoço. Mais do que depressa começamos a montar as barracas, eram três, estávamos em seis pessoas, cada dupla foi montar a sua, antes que o temporal que estava ameaçando cair não deixasse terminarmos o serviço.
Foi exatamente quando todos acabaram que a tempestade caiu, então saímos correndo para uma área coberta e lá ficamos até o tempo melhorar. Preparamos nosso almoço, que era pão, lingüiça e refrigerante. Para todas as refeições tínhamos o mesmo cardápio. O dia inteiro estava nublado. Ficamos conversando, bebendo, ouvindo música, jogando até o fim da tarde. Por volta das 17h30 o sol se abriu, e empolgadamente todos quiseram ir até a cachoeira. O caminho não era muito logo, porém era mata fechada, o que dificultava o nosso passeio.
Estávamos numa colina, e a cachoeira era em um vale, entre duas colinas. O chão estava encharcado, as árvores e pedras que tínhamos para nos escorar estavam escorregadias, e mesmo com esses obstáculos nós chegamos ao nosso destino. Entramos debaixo daquela água congelante, todo mundo junto, e ali eu senti que minha alma estava mesmo sendo lavada, que todas as coisas ruins estavam indo embora com aquela correnteza.
Depois desse momento decidimos achar a outra cachoeira que tinha no local, encontramos só que nessa não dava para entrar, pois chegamos pela parte de cima, e não tinha como pular porque era alto demais, tanto que havia vários equipamentos de rapel ali.
O cansaço foi se abatendo pela galera, e já estávamos loucos por água, afinal, havíamos levado uma Camelbak apenas com vodka e refrigerante, esquecemos de comprar água. No caminho de volta houve confusão na hora de decidir a direção a seguir, mas por fim chegamos a um consenso, e depois de uns 30 minutos de caminhada chegamos ao topo da colina, mortos. Olhamos para a frente, para um lado, para o outros e nada de acharmos nossas barracas. Quando de repente um amigo meu grita, olha meu carro lá atrás. Quando vimos a distância do nosso acampamento até onde estávamos todo mundo ficou desolado.
Sentamos na grama, relaxamos, ficamos curtindo aquela brisa de mato, fresquinha. Era 20h e já estávamos de banho tomado, todos enfiados dentro de uma só barraca por causa da chuva que caía, e por lá ficamos até de madrugada. Na manhã seguinte acordamos tarde, fizemos as ultimas lingüiças que restaram e nos apressamos para ir embora, porque o temporal prometia ser pior do que o do dia anterior.
E assim como terminamos de montar as barracas com chuva, ao desmontar, a cena se repetiu. Com medo que o temporal não passasse pegamos estrada, só por esse detalhe demoramos uma hora a mais para chegarmos em casa. No caminho quase atropelamos uma capivara que estava tranqüila a tomar seu banho de chuva no meio da estrada.
E esse foi um dos casos entre tantos outros que aconteceram nas minhas férias de verão, que sempre marcam.
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