Por Maria Gabriela Brito
-Aquele Tarado me paga! – pensou Luiza morrendo de raiva de Fernando, logo que ele a deixou em casa.
Ela havia ido ao cinema com ele pela primeira vez. Fernando escolheu um filme de terror de propósito, assim, quando ela se assustasse, ia cair em seus braços. No fim das contas, quem mais levou susto foi ele. Ela também se assustou, não com o filme, mas com aquelas mãos bobas (que ela tinha certeza que iam muito além de apenas duas!). Ele parecia mais uma centopéia do que um garoto de 14 anos.
Nunca mais se viram após o episódio. Fernanda nem pensava em ficar com ele de novo. Arrumou uns dois namoradinhos depois daquilo, e um terceiro pelo qual ela se apaixonou de verdade. Ele também estava apaixonado, e os caminhos não se cruzaram mais. Só que o destino é engraçado.
Dez anos após o incidente do cinema, duas pessoas completamente diferentes daquelas crianças voltaram a se encontrar, assim, bem por acaso. Já tinham vivido experiências boas e ruins. Amadurecido. Não foi amor à primeira vista, e nem à segunda, mas depois de muitos encontros, algo começava a balançar os dois.
Muita coisa havia mudado, mas outras continuaram iguais: Fernando ainda era uma centopéia, mas o que foi para Luiza um defeito aos 14 anos, passou a ser uma qualidade aos 24. E agora com uma diferença, ela estava apaixonada por ele.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Só na Malandragem
Por Sarah Menezes
Caramba! Existe gente malandra para tudo nesse mundo. Esses dias, conversando com meus amigos sobre festas e de como é complicado não ter dinheiro para curtir todas essas farras, ouvi um a história muito inusitada e não pude conter a risada e o espanto.O camarada estava na porta de uma dessas festas badaladas da cidade, esperando para entrar. Vendo a desorganização do evento na portaria, ele resolve aproveitar o incejo para tentar entrar de graça.Foi então que ele teve a brilhante idéia. Vendo os seguranças atrapalhados com o movimento, o rapaz se junta a "muvuca" e se posiciona com o pé e a perna atrá do segurança, como se estivesse saindo da festa. No meio da confusão os caras realmente acreditaram que ele estava saindo do evento: -Onde você está indo rapaz?
-Calma, calma, só ia pegar meu celular que esqueci no carro.
-Não, não pode sair não. Se sair não entra mais. Vamos, vamos vamos, entra aí.
-Mas cara, é só pegar o celular e voltar, 2 minutinhos.
-Não, já disse que não pode. Agora entra ou eu vou te tirar daqui de vez!-Tá bom, tudo bem então.
E foi assim, com toda essa cara de pau, que o malandro conseguiu se divertir a doidado e sem gastar um real. E tam mais, ainda passou a noite regado a vodka e energético, bancado pelo dinheiro adiquirido na venda do ingresso que havia comprado antecipadamente.
Realmente, o mundo é dos espertos.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
"Eu quero terminar..."
Por Maria Gabriela Brito
Ela estava deitada ao lado dele o encarando dormir. Deu um profundo suspiro e virou-se bruscamente para o outro lado.
- Seria aquilo amor?
Simplesmente não conseguia definir o que sentia por ele. Com certeza já o havia amado, mas agora estava tudo tão sem graça. Ele não havia feito nada de mal a ela, pelo contrário, era maravilhoso, perfeito (até demais) então porque sentia aquilo?
Voltou-se para ele, que continuava dormindo tranquilamente. Não conseguia tirar a idéia de terminar o namoro de sua cabeça. Ela já havia pensado a respeito do assunto, e aquilo a assombrava há alguns meses, mas sempre desistia de falar com ele na hora H.
Mas hoje ia ser diferente:
- Quando ele acordar eu falo tudo o que sinto e termino! – Pensou ela tão decidida que a idéia ecoou pelo quarto de uma maneira que fez o namorado acordar.
- Você disse alguma coisa amor?
Ela assustou-se quando ele acordou, e ele mais ainda quando abriu os olhos e deu de cara com a namorada o encarando. Após o silêncio como resposta, ele repetiu um pouco sem paciência:
- Você disse alguma coisa?
- Eu não! Volta a dormir, a gente tem que acordar cedo amanhã. – disse ela sem graça e envergonhada, dando as costas para ele, sem ter coragem de dizer o que sentia.
- Então ta. – Disse ele, que sem desconfiar de nada, pegou no sono novamente, enquanto ela simulava um ronco de sono pesado, mas na verdade estava bem acordada bolando seu plano para terminar o namoro.
-Hoje não deu porque ele tinha acabado de acordar cedo, ia ser sacanagem... – pensou.
Mas das outras vezes não foi diferente, sem coragem para admitir que não estava mais apaixonada, e com medo de ficar sozinha inventava desculpas, e o pior, a mentira era para ela mesma.
Ela estava deitada ao lado dele o encarando dormir. Deu um profundo suspiro e virou-se bruscamente para o outro lado.
- Seria aquilo amor?
Simplesmente não conseguia definir o que sentia por ele. Com certeza já o havia amado, mas agora estava tudo tão sem graça. Ele não havia feito nada de mal a ela, pelo contrário, era maravilhoso, perfeito (até demais) então porque sentia aquilo?
Voltou-se para ele, que continuava dormindo tranquilamente. Não conseguia tirar a idéia de terminar o namoro de sua cabeça. Ela já havia pensado a respeito do assunto, e aquilo a assombrava há alguns meses, mas sempre desistia de falar com ele na hora H.
Mas hoje ia ser diferente:
- Quando ele acordar eu falo tudo o que sinto e termino! – Pensou ela tão decidida que a idéia ecoou pelo quarto de uma maneira que fez o namorado acordar.
- Você disse alguma coisa amor?
Ela assustou-se quando ele acordou, e ele mais ainda quando abriu os olhos e deu de cara com a namorada o encarando. Após o silêncio como resposta, ele repetiu um pouco sem paciência:
- Você disse alguma coisa?
- Eu não! Volta a dormir, a gente tem que acordar cedo amanhã. – disse ela sem graça e envergonhada, dando as costas para ele, sem ter coragem de dizer o que sentia.
- Então ta. – Disse ele, que sem desconfiar de nada, pegou no sono novamente, enquanto ela simulava um ronco de sono pesado, mas na verdade estava bem acordada bolando seu plano para terminar o namoro.
-Hoje não deu porque ele tinha acabado de acordar cedo, ia ser sacanagem... – pensou.
Mas das outras vezes não foi diferente, sem coragem para admitir que não estava mais apaixonada, e com medo de ficar sozinha inventava desculpas, e o pior, a mentira era para ela mesma.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O segredo do sucesso
Por Maria Gabriela Brito
Hoje de manhã quando sai de casa, vi uma menininha pegando uma flor do jardim para dar a mãe dela. Achei aquele gesto tão simples e ingênuo. A mãe muito sem graça, me pediu mil desculpas pelo ato e ainda brigou muito com a filha. Aquilo me fez pensar que somos podados o tempo inteiro e desde sempre. Parece tão difícil sermos nós mesmos.
Aquela mãe nem percebeu que a filha havia dado a florzinha a ela. Penso que a menina deve ter se sentido diminuída. Assim é no mercado de trabalho. Parece que nunca somos bons o suficiente para nada. É um bombardeio de informações e dicas de como ser um profissional melhor, como ser o que as empresas procuram. Fica difícil saber por onde caminhar.
Hoje é preciso saber mais de duas línguas fluentes, porque o inglês, que já foi um diferencial, não é mais. E o diploma que também já foi importante, hoje não vale nada, se a pós, o mestrado, doutorado não estiverem ali para acompanha-lo. Além disso, temos que conhecer informática, entender de política, economia, natureza, estar atualizado, bem equipado, ter boa aparência, ser criativos, inovadores. É difícil ser tudo isso ao mesmo tempo.
Afinal de contas, o que as empresas querem? Tenho certeza que elas também ficam confusas ao escolher um profissional qualificado para determinado cargo, porque hoje, todo mundo sabe de tudo um pouco. É aqui que entra outro problema de sermos seres em busca da perfeição sempre. Os sonhos estão cada vez maiores, e muitas vezes chegam a ser utopias de tão impossíveis.
É como diz uma professora minha, “temos que ter metas possíveis”. As pessoas estão sempre querendo mais, e quando aquele sonho, que parecia tão distante, é conquistado, não é mais o suficiente. É difícil ficar satisfeito. Damos pouco valor ao que temos e muito valor ao que queremos, e assim as pequenas coisas vão ficando tão distantes.
A meta deixa de ser “carpe diem” (aproveite o dia) para ser: conquistar aquele tão sonhado emprego, ter uma vida perfeita, com carro do ano, filhos felizes e uma casa linda. E o pior, para conquistar tudo isso, ter todas as qualificações já citadas neste texto não é o suficiente. Além disso tudo, temos que mostrar nosso lado humano, mas sem demonstrar fraqueza, sem errar.
Cansei de ouvir que sou um produto à venda, e que preciso estar sempre bem vestida, sempre sorrindo, não posso errar nunca. Faz parte da construção do meu marketing pessoal. Só que não é todo dia que eu estou a fim de dar um bom dia empolgado para todos que vejo pela frente, e nem é todo dia que vejo passarinhos cantando pelo caminho.
Somos humanos, caímos, levantamos, sorrimos, choramos. Escolhemos caminhos errados às vezes, e outras, com sorte, caímos no certo. É difícil saber. E com tanta novidade, com tanta coisa que precisamos ser para conseguir aquilo que achamos ser a meta de nossas vidas, eu cheguei a uma conclusão, que pode parecer clichê, mas é a verdade. Hoje, o diferencial, e talvez o segredo do sucesso, seja sermos nós mesmos.
Hoje de manhã quando sai de casa, vi uma menininha pegando uma flor do jardim para dar a mãe dela. Achei aquele gesto tão simples e ingênuo. A mãe muito sem graça, me pediu mil desculpas pelo ato e ainda brigou muito com a filha. Aquilo me fez pensar que somos podados o tempo inteiro e desde sempre. Parece tão difícil sermos nós mesmos.
Aquela mãe nem percebeu que a filha havia dado a florzinha a ela. Penso que a menina deve ter se sentido diminuída. Assim é no mercado de trabalho. Parece que nunca somos bons o suficiente para nada. É um bombardeio de informações e dicas de como ser um profissional melhor, como ser o que as empresas procuram. Fica difícil saber por onde caminhar.
Hoje é preciso saber mais de duas línguas fluentes, porque o inglês, que já foi um diferencial, não é mais. E o diploma que também já foi importante, hoje não vale nada, se a pós, o mestrado, doutorado não estiverem ali para acompanha-lo. Além disso, temos que conhecer informática, entender de política, economia, natureza, estar atualizado, bem equipado, ter boa aparência, ser criativos, inovadores. É difícil ser tudo isso ao mesmo tempo.
Afinal de contas, o que as empresas querem? Tenho certeza que elas também ficam confusas ao escolher um profissional qualificado para determinado cargo, porque hoje, todo mundo sabe de tudo um pouco. É aqui que entra outro problema de sermos seres em busca da perfeição sempre. Os sonhos estão cada vez maiores, e muitas vezes chegam a ser utopias de tão impossíveis.
É como diz uma professora minha, “temos que ter metas possíveis”. As pessoas estão sempre querendo mais, e quando aquele sonho, que parecia tão distante, é conquistado, não é mais o suficiente. É difícil ficar satisfeito. Damos pouco valor ao que temos e muito valor ao que queremos, e assim as pequenas coisas vão ficando tão distantes.
A meta deixa de ser “carpe diem” (aproveite o dia) para ser: conquistar aquele tão sonhado emprego, ter uma vida perfeita, com carro do ano, filhos felizes e uma casa linda. E o pior, para conquistar tudo isso, ter todas as qualificações já citadas neste texto não é o suficiente. Além disso tudo, temos que mostrar nosso lado humano, mas sem demonstrar fraqueza, sem errar.
Cansei de ouvir que sou um produto à venda, e que preciso estar sempre bem vestida, sempre sorrindo, não posso errar nunca. Faz parte da construção do meu marketing pessoal. Só que não é todo dia que eu estou a fim de dar um bom dia empolgado para todos que vejo pela frente, e nem é todo dia que vejo passarinhos cantando pelo caminho.
Somos humanos, caímos, levantamos, sorrimos, choramos. Escolhemos caminhos errados às vezes, e outras, com sorte, caímos no certo. É difícil saber. E com tanta novidade, com tanta coisa que precisamos ser para conseguir aquilo que achamos ser a meta de nossas vidas, eu cheguei a uma conclusão, que pode parecer clichê, mas é a verdade. Hoje, o diferencial, e talvez o segredo do sucesso, seja sermos nós mesmos.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Falar até ouvir
Por Mônica Salmazo
Ela deveria ter aprendido a ouvir desde cedo mas não, falar era sua especialidade. Agora estava cabisbaixa, abismada pelo incontável número de burradas que havia feito na vida apenas por falar demais, e não saber ouvir.
Escutar todo mundo escuta, pensava ela. Somente agora, anos e anos de erros é que ela foi entender a diferença entre escutar e ouvir.
Escutar é escutar, nada demais, a gente escuta os sons e diálogos, mas ouvir, nãooo, ouvir é diferente, é processar a informação, é raciocinar sobre o assunto, é pensar antes de agir, ouvir antes de falar.
Rubem Alves já dizia que "nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade", agora ele tinha razão.
Glória levantou a cabeça, pesada após horas de culpa e vergonha que a obrigara a abrigar seu rosto em suas mãos, talvez como uma escapatória, uma camuflagem para a vergonha que sentia.
Ela avistou a razão de sua dor: ele ainda a fitava com os olhos cheios de ódio.
Não adiantava pedir para voltar, não adiantava querer cair nos braços dele, não adiantava tentar, e pela primeira vez na vida ela não sabia o que falar.
Lembrou da avó que lhe dizia que sábios são os que sabem ouvir e medir suas ações, esperto é aquele que ouve mais do que fala, mas para quê??, para que é que tinham que citar frases ao invés de explicá-las?, tornou-se uma forma mais conveniente para as pessoas sair recitando frases filosóficas ou poéticas e esperar que um dia, talvez, a pessoa aprenda na prática?, por que não a fizeram entender isso antes?, quantas e quantas palavras ela poderia ter economizado, quantas lágrimas, quantos arrependimentos, ai meu Deus, agora não adiantava mais.
O silêncio dominou o quarto, apesar dos raios invadirem as janelas, a escuridão dominava os pensamentos.
Ela sempre fora fiel, sempre amou de verdade, sempre deu o melhor de si, mas também poderia ter aprendido a ouvir, falava coisas que machucavam, falava desnecessariamente, mas acima de tudo ela achava que estava certa, que ele não precisava dizer o que havia de errado, sua consciência se encarregaria de filtrar as informações.
Como estava errada, Glória estava errada, até mesmo em seu nome de batismo. "Glória, glória, ha, fracasso seria mais adequado", pensava ela.
E isolada em seu próprio fracasso e mergulhada em sua própria vergonha, ele a deixou sentada ali, sozinha, sendo devorada pelo negro véu que a Lua trazia.
A última gota de lágrima caiu no travesseiro quando ela adormeceu.
Quando acordou ela não sabia mais falar, Glória aprendera, finalmente, a ouvir.
Quando acordou ela não sabia mais falar, Glória aprendera, finalmente, a ouvir.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Reforna delirante!
Povoo,
Em breve o Delírios estará de cara nova!
Continuem acompanhando o blog, já colocamos em prática a reforma, dentro de alguns dias o Delírios estará ainda mais atraente!
Beijão galera,
Sarah, Mônica e Gabi
Em breve o Delírios estará de cara nova!
Continuem acompanhando o blog, já colocamos em prática a reforma, dentro de alguns dias o Delírios estará ainda mais atraente!
Beijão galera,
Sarah, Mônica e Gabi
O Cara do Honda Civic
Por Maria Gabriela Brito
Subiu na sua motoca às 5 horas da manhã indo direto para o trabalho. Era isso que fazia todos os dias de segunda a sábado. Era cobrador de ônibus. Ele passava por aquelas ruas todas as manhãs. Era rotina, sem surpresas, sem novidades. Até que:
- Oh amigo! Psiu! Ow!
Ele parou a moto, olhou para trás e viu aquele Honda Civic zerado, e pensou “Que inveja desse filho da puta!”.
- Fala ai amigão...
- Então, o que tem pra fazer nessa cidade?
Ele olhou bem para o cara do Honda Civic. Não acreditava naquilo. “Mas que cara filho duma puta! 5 horas da matina de uma baita quarta-feira, esse desgraçado vem me perguntar que que tem na cidade? Só pode ser brincadeira!”.
- Olha só amigão, num sei não... To indo pro trampo.
- Achei que você talvez pudesse me mostrar o que tem pra fazer na cidade. Eu não sou daqui...
O cobrador só conseguia imaginar como a vida do playboy era boa! O cara procurava farra em uma madrugada fria de uma quarta-feira, enquanto ele estava indo para o trabalho. “Quando é final de semana e folga minha, ninguém me chama pra sair!”, pensou revoltado.
- Olha só amigão, num dá mesmo, tenho que tá no trampo daqui 15 minutos!
- E por 350, você topa?
O cobrador olhou assustado para o cara do Honda Civic e pensou morrendo de raiva, “O desgraçado é bicha!!”.
- Ê meu irmãoo! Ta doidoooo? So homem uai! Êêeeeeê! Nem fudendo, vô vaza!
- E por 550, topa?
- Ta maluco me’irmão! Vira homem sô! Eu, neguim, baxinho, de motoca, pego geral, se você fosse homem, nesse Honda Civic ia passá o rodo!
- Última oferta, 1000 reais, e ai?
Por alguns segundos o cobrador ficou olhando meio em dúvida para o cara. “Nó! Dá pra pagar as duas últimas parcelas da minha motoca, e ainda sobra uma graninha praquele tênis doido que eu queria comprar...”. Mas o pensamento só durou alguns segundos. Ele balançou a cabeça como quem quer afastar uma mosca e gritou revoltado:
- Você ta maluco cara? Nem fudendo! Aliás, muito menos fudendo!
Colocou o capacete, montou na sua motoca e saiu revoltado.
Subiu na sua motoca às 5 horas da manhã indo direto para o trabalho. Era isso que fazia todos os dias de segunda a sábado. Era cobrador de ônibus. Ele passava por aquelas ruas todas as manhãs. Era rotina, sem surpresas, sem novidades. Até que:
- Oh amigo! Psiu! Ow!
Ele parou a moto, olhou para trás e viu aquele Honda Civic zerado, e pensou “Que inveja desse filho da puta!”.
- Fala ai amigão...
- Então, o que tem pra fazer nessa cidade?
Ele olhou bem para o cara do Honda Civic. Não acreditava naquilo. “Mas que cara filho duma puta! 5 horas da matina de uma baita quarta-feira, esse desgraçado vem me perguntar que que tem na cidade? Só pode ser brincadeira!”.
- Olha só amigão, num sei não... To indo pro trampo.
- Achei que você talvez pudesse me mostrar o que tem pra fazer na cidade. Eu não sou daqui...
O cobrador só conseguia imaginar como a vida do playboy era boa! O cara procurava farra em uma madrugada fria de uma quarta-feira, enquanto ele estava indo para o trabalho. “Quando é final de semana e folga minha, ninguém me chama pra sair!”, pensou revoltado.
- Olha só amigão, num dá mesmo, tenho que tá no trampo daqui 15 minutos!
- E por 350, você topa?
O cobrador olhou assustado para o cara do Honda Civic e pensou morrendo de raiva, “O desgraçado é bicha!!”.
- Ê meu irmãoo! Ta doidoooo? So homem uai! Êêeeeeê! Nem fudendo, vô vaza!
- E por 550, topa?
- Ta maluco me’irmão! Vira homem sô! Eu, neguim, baxinho, de motoca, pego geral, se você fosse homem, nesse Honda Civic ia passá o rodo!
- Última oferta, 1000 reais, e ai?
Por alguns segundos o cobrador ficou olhando meio em dúvida para o cara. “Nó! Dá pra pagar as duas últimas parcelas da minha motoca, e ainda sobra uma graninha praquele tênis doido que eu queria comprar...”. Mas o pensamento só durou alguns segundos. Ele balançou a cabeça como quem quer afastar uma mosca e gritou revoltado:
- Você ta maluco cara? Nem fudendo! Aliás, muito menos fudendo!
Colocou o capacete, montou na sua motoca e saiu revoltado.
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